Programação Cinemateca
MOSTRA: NOSSA INCOMPETÊNCIA CRIATIVA EM COPIAR


Publicado originalmente no primeiro número de Argumento, uma revista mensal de cultura, em outubro de 1973, Cinema: trajetória no subdesenvolvimento é um dos ensaios centrais da obra final de Paulo Emilio Sales Gomes. Fruto de seu interesse constante pelo cinema brasileiro e sua história, afirma no brilhante artigo: "Não somos europeus nem americanos do norte, mas destituídos de cultura original, nada nos é estrangeiro pois tudo o é. A penosa construção de nós mesmos se desenvolve na dialética rarefeita entre o não ser e o ser outro. O filme brasileiro participa do mecanismo e o altera através de nossa incompetência criativa em copiar."

Diante da maciça ocupação do mercado brasileiro pelo cinema estrangeiro – e a influência de sua linguagem e costumes – nosso cinema criou um gênero único, a chanchada. Comédias de costumes influenciadas pelo teatro de revista, pelo rádio e temas carnavalescos, as chanchadas faziam grande sucesso popular e referências diretas ao cinema estrangeiro. Desta produção, a mostra apresenta dois clássicos de Carlos Manga: Nem Sansão, nem Dalila e O homem do Sputnik. Paródia do épico Sansão e Dalila, de Cecil B. DeMille, o filme narra as peripécias de um barbeiro interpretado por Oscarito que é transportado ao passado através de uma máquina do tempo e obtém força graças a uma peruca mágica. Já O homem do Sputnik faz comédia em torno da Guerra Fria, através de um casal interiorano que supostamente encontra o satélite russo em seu galinheiro. No genial elenco estão Oscarito, Zezé Macedo, Jô Soares e, estreando no cinema, Norma Bengell, que faz uma brilhante sátira de Brigitte Bardot. A estrela francesa era um dos mitos da época, graças ao estrondoso sucesso de E Deus criou a mulher, de Roger Vadim – filme amplamente analisado por Paulo Emilio em artigos publicados no Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo.

Durante a década de 1970 uma série de filmes nacionais brincava em seus títulos com sucessos internacionais – tivemos a Emanuelle tropical, Costinha e o King Mong, O exorcista de mulheres, O filho do chefão, O poderoso garanhão, Essa freira é uma parada. Laranja mecânica, grande sucesso internacional de Stanley Kubrick estava interditado pela censura quando Braz Chediak lançou Banana mecânica, comédia protagonizada por Carlos Imperial. Tubarão, de Steven Spielberg, um dos marcos inaugurais da era do blockbuster, teve inventiva paródia em Bacalhau (“Bacs”), de Adriano Stuart. A comédia fez mais de um milhão de espectadores no seu lançamento em 1976. Outra excelente estratégia de lançamento foi a de Exorcismo negro, de José Mojica Marins – neste filme de horror, o cineasta interpreta a si mesmo, tentando exorcizar seu popular personagem Zé do Caixão. Vestido a caráter, foi às ruas chamar o público que aguardava nas filas para assistir O exorcista, de William Friedkin.

Este programa permite reavaliar e comparar algumas de nossas releituras nacionais e – usando um termo de Paulo Emilio em Cinema brasileiro na universidade (publicado na revista Movimento, 1 de setembro de 1975) – a “alegria de entendimento” que estes filmes nos proporcionam.

PROGRAMAÇÃO

SEXTA 16/09
SALA PETROBRAS
19h00 E DEUS CRIOU A MULHER
SALA BNDES
21h00 O HOMEM DO SPUTNIK


SÁBADO 17/09
SALA BNDES
18h00 LARANJA MECÂNICA
21h00 BANANA MECÂNICA


DOMINGO 18/09
SALA BNDES
17h00 O EXORCISTA
19h30 EXORCISMO NEGRO


QUINTA 22/09
SALA BNDES
20h00 LARANJA MECÂNICA


SEXTA 23/09
SALA BNDES
20h00 BANANA MECÂNICA


SÁBADO 24/09
SALA BNDES
19h00 E DEUS CRIOU A MULHER
21h00 O HOMEM DO SPUTNIK


DOMINGO 25/09
SALA BNDES
17h00 SANSÃO E DALILA
19h30 NEM SANSÃO, NEM DALILA


QUINTA 29/09
SALA BNDES
18h00 O EXORCISTA
20H30 EXORCISMO NEGRO


SEXTA 30/09
SALA BNDES
18h00 SANSÃO E DALILA
20h30 NEM SANSÃO, NEM DALILA


SÁBADO 01/10
SALA BNDES
18h00 TUBARÃO
20h30 BACALHAU (“BACS”)


DOMINGO 02/10
SALA BNDES
17h00 TUBARÃO
19h30 BACALHAU (“BACS”)