Atendimento ao público e política de preservação na pauta do encontro entre a Cinemateca Brasileira e o setor audiovisual

Melhoria do serviço prestado e transparência são prioridades da nova gestão da instituição

A Cinemateca Brasileira e a Acerp – Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto realizaram hoje (16/05) um encontro com cineastas, produtores, pesquisadores, professores, representantes de órgãos de classe e profissionais da área audiovisual para apresentar as diretrizes da nova gestão e ouvir o setor. O objetivo foi o de promover um amplo diálogo e estreitar o relacionamento entre a Cinemateca e representantes do audiovisual.

Durante o encontro, que contou também com a presença do secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, João Batista da Silva; da presidente do Conselho da Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC), Maria Dora Mourão; e de toda a direção da Acerp, foi apresentado um plano de ações que inclui investimentos na estruturação de um Núcleo de Atendimento e reforço da equipe técnica do Laboratório de Imagem e Som, além da nova política de precificação da cessão de espaços e serviços da Cinemateca. O diretor-geral da Acerp, Fernando Veloso, ressaltou a importância de ouvir as sugestões do setor antes da implantação de novas medidas e destacou o esforço que está sendo feito por todos para a retomada e o aprimoramento das atividades da instituição: “Estamos mantendo a equipe técnica, investindo e seguindo uma prática comum em cinematecas do mundo. O desafio da gestão é grande, mas o entusiasmo da equipe expressa o respeito à dimensão e grandeza da Cinemateca. Vamos trabalhar, com absoluta transparência, para aprimorar os serviços prestados pela instituição”. Entre as propostas discutidas no encontro está um projeto de captação de recursos e a utilização da recém aprovada linha de financiamento do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) para preservação, memória e digitalização de acervos num total de R$ 23,4 milhões.

Para o cineasta Walter Lima Jr, o encontro foi animador: “eu fiquei superanimado quando soube que a Cinemateca ia se reunir e conversar com a gente sobre o momento dela. A gente está numa expectativa há algum tempo, à espera de que isso pudesse acontecer, que a gente tivesse notícias de que ela estava viva, e isso é a grande notícia, ela está viva”. O encontro marcou também o debate sobre o trabalho de compartilhamento do acervo da Cinemateca com vistas ao acesso de materiais audiovisuais de curtas, médias, longas-metragens, telenovelas e telerreportagens, cartazes de filmes nacionais e estrangeiros e documentos textuais. O trabalho para acesso a conteúdos digitais do campo do audiovisual está em pleno andamento.

No começo do mês de maio, a Cinemateca Brasileira apresentou o novo Banco de Conteúdos Culturais com nova estrutura, que permite ao usuário acesso a importantes obras audiovisuais que podem também ser contextualizadas e compreendidas à luz de outros tipos documentais pertencentes ao acervo. Entre os novos conteúdos disponibilizados estão a coleção completa da Revista Filmes Cultura e a versão restaurada do filme Barravento, de Glauber Rocha. Para 2018, estão previstas atualizações mensais com novos conteúdos provenientes das ações de digitalização executadas pelas equipes de Documentação e Preservação. O coordenador de Produção e Tecnologia do Cinusp - Cinema da Universidade de São Paulo, Thiago André, destacou a importância do debate: “Achei o encontro extremamente importante, acho que faz tempo que não só os parceiros da Cinemateca, mas toda a sociedade e comunidade audiovisual estava querendo um espaço para poder dar o seu feedback e as suas sugestões para a Cinemateca. Qualquer iniciativa de transparência, de diálogo, é sempre muito bem-vinda, principalmente quando isto estava faltando”.

A Cinemateca Brasileira

Estruturada em setores com seus diversos núcleos, a Cinemateca Brasileira é a mais antiga instituição de cinema do país e principal responsável pela preservação de um dos maiores acervos audiovisuais da América Latina. Na sede na Vila Clementino, estão instalados os depósitos para preservação de mais de 240 mil rolos de filmes, o Laboratório de Imagem e Som e um milhão de documentos relacionados ao campo do audiovisual, além de infraestrutura completa para difusão e realização de eventos. O Contrato de Gestão Acerp/Cinemateca Brasileira é uma parceria entre o Ministério da Cultura e o Ministério da Educação, com vigência até 2021.