Falecimento de Maria Rita Galvão

É com profunda tristeza que a Cinemateca Brasileira recebe a notícia do falecimento de Maria Rita Eliezer Galvão (1939 -2017).

Nascida em Birigui, interior de São Paulo, Maria Rita formou-se em bacharel em Ciências Sociais, em 1962. Entre 1967-1976, concluiu o mestrado, sob a orientação de Antônio Candido de Mello e Souza, e o doutorado, orientada por Paulo Emílio Sales Gomes, com um trabalho pioneiro acerca da Companhia Cinematográfica Vera Cruz. 

Em 1975, passou a integrar a diretoria da Fundação Cinemateca Brasileira, ao lado de outros jovens discípulos de Paulo Emílio que tinham a missão de colaborar na reestruturação da instituição. Paralelamente, manteve suas funções de professora na Universidade de São Paulo.

Na Cinemateca Brasileira, ao longo de quase quatro décadas, exerceu um trabalho de fôlego, paciência e generosidade. Além de integrar a diretoria e o Conselho da instituição, elaborou diversos estudos e pesquisas, ainda pouco conhecidos do público, atuou de forma singular como representante da Cinemateca na Federação Internacional de Arquivos de Filmes, e na interlocução com arquivos latino-americanos. 

Neste momento de tristeza, atemo-nos às palavras de Antonio Candido, publicadas em 1979:

Maria Rita é uma das mais capazes e inspiradas estudiosas do cinema brasileiro. Formada sob a orientação e Paulo Emílio Salles Gomes, que influenciava em profundidade parecendo apenas sugerir, recebeu dele o gosto pelos levantamentos minuciosos da realidade, pela colheita aparentemente miúda dos fatos, que, no entanto, se transforma – em visão elucidativa das produções do cinema e, através dele, da cultura brasileira.”

Aos familiares e amigos, a equipe e o Conselho da Cinemateca registram seu afeto e gratidão ao legado de Maria Rita Galvão para a preservação audiovisual.