História

A origem da Cinemateca Brasileira remonta à criação, em 07 de outubro de 1946, por Francisco Luiz de Almeida Salles, Rubem Biáfora, Múcio Porphyrio Ferreira, Benedito Junqueira Duarte, João de Araújo Nabuco, Lourival Gomes Machado e Tito Batini, do Segundo Clube de Cinema de São Paulo, que busca estimular o estudo, a defesa, a divulgação e o desenvolvimento da arte cinematográfica no Brasil. Vale lembrar que, em 1940, Paulo Emílio Sales Gomes, Décio de Almeida Prado, Antonio Candido de Mello e Souza, entre outros, fundam o Primeiro Clube de Cinema de São Paulo, que se propôe a estudar o cinema como arte independente por meio de projeções, conferências, debates e publicações. Todavia, durante o Estado Novo, não há condições para um projeto dessa natureza e, em 1941, o Primeiro Clube é fechado pelos órgãos de repressão da ditadura estado-novista.

Em setembro de 1947, por intermédio de Paulo Emílio, o Segundo Clube é filiado à Federação Internacional dos Clubes de Cinema - FICC, o que lhe permite o acesso a uma pequena coleção de filmes. Porém, a constituição de um arquivo fílmico só poderia ser viabilizada por meio da filiação à Federação Internacional de Arquivos de Filmes - FIAF, o que ocorre em 1948. 

Em 1948, Francisco Matarazzo Sobrinho passa a colaborar com o Clube de Cinema e, em 05 de março de 1949 é aprovado um acordo entre o recém-criado Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP e o Clube, para criação da Filmoteca do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Em 1951, Paulo Emílio é nomeado vice-presidente da FIAF. A Filmoteca, que continua a receber empréstimos de filmes dos arquivos membros da Federação e a prospectar filmes brasileiros antigos, fortalece sua atuação no campo cultural brasileiro, sobretudo por meio da realização de grandes mostras em parceria com as demais instituições culturais de São Paulo. Almeida Salles é o primeiro diretor da entidade, ao lado de Lourival Gomes Machado, na época diretor do MAM.

No ano de 1954, Paulo Emílio assume a direção da Filmoteca, como conservador-chefe, contando com a ajuda de Rudá de Andrade e Caio Scheiby, nas funções de conservadores adjuntos. Em 1956, em busca de maior autonomia, a Filmoteca se desliga do Museu de Arte Moderna, transformando-se em Cinemateca Brasileira, uma sociedade civil sem fins lucrativos. Em 28 de janeiro de 1957, um incêndio causado pela autocombustão sofrida pelos filmes em suporte de nitrato de celulose destrói suas instalações na Rua Sete de Abril. Num clima de comoção geral, a instituição passa a receber apoio e doações de diversas entidades nacionais e estrangeiras. Por intermédio de Ciccillo Matarazzo e da Prefeitura do Município de São Paulo, os filmes são depositados em espaços distribuídos dentro do Parque do Ibirapuera e a Cinemateca ocupa uma sala na sede da Bienal de São Paulo.

Em 13 de janeiro de 1961, a Cinemateca torna-se uma fundação, personalidade jurídica que lhe permitiria estabelecer convênios com o poder público estadual. No ano seguinte, outra iniciativa é tomada a fim de dotar a instituição de recursos financeiros. Em julho de 1962, é criada a Sociedade Amigos da Cinemateca - SAC, sociedade civil cuja finalidade é auxiliar financeiramente a Fundação Cinemateca Brasileira.

Porém, em 18 de fevereiro de 1969, o segundo incêndio, na instalação no portão 9 do Parque do Ibirapuera, acarreta a perda de diversos materiais documentais em suporte de nitrato e agrava a situação da instituição, que até meados dos anos de 1970 sobreviverá com escassos recursos, provenientes de doações e taxas de exibição. Nesse período de crise, a instituição é desligada da FIAF. O ano de 1975 marca o ressurgimento legal da Cinemateca, com a formação de um Conselho Consultivo e a obtenção de recursos junto às esferas do poder público. No ano seguinte, a Fundação Cinemateca Brasileira tem o reconhecimento de seu caráter de utilidade pública pelo município de São Paulo. Em 1977, equipamentos são adquiridos junto a laboratórios comerciais desativados e, em meio às inúmeras dificuldades, a Cinemateca passa a se dedicar à contratipagem, legendagem e copiagem de filmes. Paralelamente, são desenvolvidos trabalhos de catalogação do acervo consoantes com as normas da Federação Internacional de Arquivos de Filmes. O retorno da Cinemateca Brasileira à FIAF acontece em 1979.

Em janeiro de 1980, num espaço cedido pela Prefeitura do Município de São Paulo no Parque da Conceição, é inaugurado o Centro de Operações, que abriga a Diretoria, o Departamento de Difusão, o Departamento de Documentação e Pesquisa, o Departamento de Vídeo, e um depósito climatizado. Paralelamente a Fundação Cinemateca também ocupa um galpão no Parque Ibirapuera, onde funciona o Laboratório de Restauração de Filmes. No dia 06 de novembro 1982, ocorre o terceiro incêndio, que agrava as dificuldades financeiras da instituição e levam à defesa de sua incorporação ao poder público, desde que não fosse comprometida sua autonomia institucional. Em 14 de fevereiro de 1984, a Fundação Cinemateca Brasileira é extinta e incorporada, como órgão autônomo, à Fundação Nacional Pró-Memória. No final da década, a instituição passa a contar com uma sala de cinema na Rua Fradique Coutinho, em um espaço alugado pela Sociedade Amigos da Cinemateca. Em 1988, o prefeito Jânio Quadros cede à instituição o espaço do antigo matadouro da cidade. Após nove anos de reformas, sua sede é definitivamente instalada na Vila Clementino. Os edifícios históricos foram tombados, em 1985, pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo - Condephaat, e pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo - Conpresp, em 1991.

No âmbito das reformas administrativas do governo Collor, a Fundação Nacional Pró-Memória é extinta, dando lugar ao Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural - IBPC que, por sua vez, absorve a Cinemateca Brasileira. Em 1994, através da Medida Provisória nº 752, de 06 de dezembro, o IBPC é transformado em Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN. Em 12 de agosto de 2003, por meio do Decreto nº 4.805, a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura incorpora a Cinemateca Brasileira.

Em 2009, iniciam-se os estudos para novas edificações em um terreno, na Vila Leopoldina, transferido à Cinemateca pelo Patrimônio da União do Estado de São Paulo. Atualmente, esta nova unidade conta com duas câmaras climatizadas para guarda de acervos, área de trabalho e serviços.

Entre 2008 e 2013, a Cinemateca Brasileira dá um grande impulso nas suas atividades de preservação e difusão de acervos, bem como na infraestrutura, graças a recursos investidos pelo Ministério da Cultura, por meio de Planos de Trabalho, no âmbito de uma parceria estabelecida entre o Ministério e a Sociedade Amigos da Cinemateca.

Após esse profícuo período, a instituição passa por uma crise, cujos desdobramentos levam à drástica redução das equipes e, por conseguinte, da sua capacidade operacional, sobretudo do Laboratório de Imagem e Som. Em 03 fevereiro de 2016, ocorre o quarto incêndio, resultando na perda de 1.003 rolos de filmes em nitrato de celulose, referentes a 731 títulos. A partir de então, os poucos recursos disponíveis são concentrados na duplicação emergencial do acervo audiovisual e normalização mínima das rotinas de cada setor.