Espaços

Salas de exibição

A Cinemateca Brasileira conta com duas salas de exibição equipadas para a projeção dos diferentes formatos existentes em seu acervo de filmes. As salas contemplam desde a clássica e quase rara película em 35mm (padrão desde o início do cinema) até as tecnologias mais recentes de cinema digital, então, absorvidas pelo mercado exibidor.

Além das definições básicas dos formatos, diversas tecnologias atualmente consideradas obsoletas são necessárias para garantir a correta exibição e características originais dos filmes no momento da sua exibição. Dentre elas, vale destacar as janelas (máscaras na imagem projetada) que respeitam os quadros originais, desde o padrão para filmes silenciosos (1:1,33), passando pelos primeiros filmes sonoros (1:1,37) e as mudanças que se seguiram (1:1,66 e 1:1,85) até o surgimento do cinemascope (1:2,35) com imagens anamórficas e mais largas.

Outras especificidades essenciais para a experiência cinematográfica incluem as velocidades corretas na projeções de filmes silenciosos (que só foi definida como fixa em 24 quadros por segundo com o advento do som) e as diversas formas como o som foi codificado e apresentado nos cinemas, desde o básico monoaural, com somente um canal de áudio, até a introdução dos formatos digitais de áudio ainda nas cópias em 35mm.

As projeções em imagem digital na Cinemateca Brasileira acompanharam os desenvolvimentos de diversas tecnologias dos anos 2000 até a definição do mercado brasileiro de acolher a proposta do Digital Cinema Initiatives - DCI, atual referencial de qualidade para as grandes produções.

Filmes que não se enquadram dentro do modelo do mercado de produção e exibição também fazem parte da programação nas salas da Cinemateca e, trabalhando para permitir o acesso a estas obras, diversos formatos de vídeo (analógio e digital) e arquivos também são projetados.

A Sala Cinemateca/Petrobras foi inaugurada em 5 de novembro de 1997, construída no galpão II do antigo Matadouro, com capacidade para 107 espectadores, incluindo 03 assentos para cadeirantes.

No final de 2005 passa por uma reforma para melhorias na qualidade da imagem e som exibidos e adequações de acessibilidade, sendo reaberta em março de 2006.

A Sala Cinemateca/BNDES, com 210 lugares, incluindo 04 assentos para cadeirantes, foi inaugurada oficialmente em 12 de novembro de 2007, ocupando parte do galpão III do antigo Matadouro. O filme exibido na abertura foi Eles não usam black-tie, de Leon Hirszman, cuja restauração foi pela Cinemateca Brasileira havia acabado de ser concluída.

Considerando o avanço nas tecnologias de projeção e discussões sobre a absorção do digital como principal tecnologia de exibição, esta sala teve o seu desenho adequado para a continuidade das projeções com as tecnologias originalmente analógicas em paralelo às tecnologias digitais que seriam absorvidas nos anos seguintes. 

Área externa

Desde 2007 são realizadas sessões ao ar livre na área externa aos galpões do antigo Matadouro. Em 2012 foi instalado projetores de película 35mm e digital, e uma tela com as dimensões de 13m por 5,5m, com uma distância de 35m entre os projetores e a tela.

Instalações

O aprimoramento dos procedimentos de preservação dos acervos sob responsabilidade da Cinemateca Brasileira sempre esteve entre as principais preocupações da instituição, sendo as condições de guarda dos materiais um fator determinante nesse processo. A construção de novos espaços de guarda de matrizes, além de responder ao natural crescimento do acervo, permite a implantação de espaços especializados, com condições técnicas que atendam às especificidades dos diferentes tipos de suporte que integram o acervo.

Sede - Vila Clementino

A sede da Cinemateca Brasileira está localizada no Largo Senador Raul Cardoso, 207, local onde, durante o final do século XIX e início do XX, funciona o último matadouro da cidade de São Paulo. Inaugurado oficialmente no dia 21 de junho de 1887, tem grande importância para o desenvolvimento do bairro e para compreensão do processo de urbanização da cidade de São Paulo. Em 1884, ocorre um concurso público para construção do edifício e o projeto vencedor é de autoria do arquiteto alemão Alberto Kuhlmann, também responsável pela construção da Companhia de Carris de Ferro São Paulo-Santo Amaro.

O Matadouro da Vila Clementino encerra suas atividades em 1927. Nos sessenta anos subsequentes, as edificações em área de 24.000 m² abrigam outras instituições municipais que, tentando adequar os espaços disponíveis aos usos pretendidos, descaracterizam o conjunto. Devido ao histórico de abandono e de mau uso das instalações, os galpões encontram-se em estado precário de conservação.

Em 1985 é finalizado o processo de tombamento do complexo pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo - Condephaat. Em 1991, é tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade - Conpresp.

No dia 09 de setembro de 1988, a Prefeitura do Município de São Paulo cede a área do antigo Matadouro para a Cinemateca Brasileira. O projeto inicial de restauração dos antigos galpões é idealizado pelos arquitetos Lúcio Gomes Machado e Eduardo de Jesus Rodrigues. Nos edíficios antigos são abrigadas as áreas do Centro de Documentação e Pesquisa, Administração e as salas de exibição. Os depósitos climatizados e o Laboratório de Imagem e Som são implantados em novos edíficios, de forma a permitir o isolamento necessário das áreas técnicas.

Posteriormente, Nelson Dupré assume o trabalho de reconfiguração dos edíficios. Ao recompor as características estéticas e históricas, o arquiteto propõe elementos contemporâneos às edificações originais. Os galpões são conectados por uma cobertura envidraçada plana fixada nas paredes, com auxílio de tirantes. No galpão onde se encontra a sala de cinema BNDES, os trilhos do trem, utilizados para o transporte de animais à época do Matadouro, estão preservados sob piso de vidro.

Unidade Vila Leopoldina

Em fevereiro de 2009, a Cinemateca Brasileira recebe da Secretaria do Patrimônio da União - SPU um imóvel de 8.400 m², sendo 6.356 m² de área construída, que ficara fechado por cerca de uma década, situado à Rua Othão, 290, no bairro da Vila Leopoldina. Trata-se de uma região que concentra empresas ligadas à produção audiovisual e tem potencial para tornar-se um polo de cinema. Pouco tempo depois da cessão do imóvel, a Cinemateca, por meio de recursos do Termo de Parceria MinC-SAC, planeja as primeiras adaptações e reformas necessárias para dotar a edificação das condições técnicas necessárias para abrigar novas funções.

Em 2011 tem início o trabalho de implantação das reservas específicas de guarda de acervos, áreas de processamento de acervos fílmicos e documentais, laboratório de impressão fotográfica digital, bem como demais instalações administrativas, de apoio e serviços. Em decorrência da crise vivida pela instituição, a partir de 2013, os trabalhos de revitalização e ocupação efetiva da edificação foram interrompidos.

Jardim

A Cinemateca Brasileira, além de suas salas de cinema e Biblioteca, oferece a seus visitantes um jardim com bancos e mesas, árvores frutíferas, e conjunto de esculturas, doadas por artistas que contribuíram para revitalização da área do antigo Matadouro.

Funcionamento do jardim da Cinemateca: segunda-feira a quarta-feira das 08h às 18h, e quinta-feira a domingo, das 08h às 21h.

Entrada gratuita