Preservação audiovisual

 

A Cinemateca Brasileira possui um expressivo acervo audiovisual, formado por cerca de 245 mil rolos de filmes, que correspondem a 30 mil títulos. São obras de ficção, documentários, cinejornais, filmes publicitários e registros familiares, nacionais e estrangeiros, produzidos desde 1910. Os materiais são incorporados à Cinemateca Brasileira através de depósito voluntário, doação e também depósito legal.

A Preservação de Filmes tem como objetivo principal cuidar dos materiais audiovisuais em seus diversos formatos – fílmicos, videográficos e digitais – que estão sob a guarda da Cinemateca, buscando garantir sua capacidade de reprodução e acesso, a curto, médio e longo prazo. Destaca-se ainda a manutenção, monitoramento e aprimoramento das áreas climatizadas, atendendo ao constante crescimento do acervo, e aos padrões de qualidade que assegurem a preservação desse patrimônio. Em 2016 teve início um grande diagnóstico do acervo que aponta o estado técnico dos materiais, gerando demandas de duplicação ou escaneamento emergencial.

A análise do material e do seu estado de conservação determina como e onde serão armazenados na Cinemateca Brasileira:

Arquivo de matrizes

Inaugurado em 2001, recebe apenas filmes em suporte de acetato de celulose ou poliéster que não se encontram em processo de deterioração. Possui quatro câmaras climatizadas, duas para matrizes coloridas e duas para matrizes em preto e branco, cada uma com capacidade para abrigar 25 mil rolos. Opera com 50% de umidade relativa do ar e com temperaturas de 10,5°C e 15,5°C, respectivamente, que possibilitam aos filmes uma vida útil prolongada.

Arquivo de filmes em nitrato de celulose

Situa-se em um prédio independente dos outros arquivos, pois abriga filmes passíveis de combustão espontânea quando deteriorados. Por medidas de segurança, está dividido em quatro câmaras, sem instalações elétricas e que, em caso de combustão, são capazes de conter os danos sem afetar o restante da coleção. Cada uma das câmaras possui capacidade para aproximadamente mil rolos de filmes.

Arquivo de filmes em deterioração

Abriga filmes com suporte de acetato de celulose em processo de degradação, comumente conhecido como síndrome do vinagre por exalar ácido acético. Devem ser separados dos demais materiais por risco de contaminação, que desencadearia a aceleração do processo de deterioração de materiais em bom estado.

Arquivo de cópias de difusão

Conserva cópias de filmes em suporte de segurança que tenham, obrigatoriamente, matrizes em bom estado de conservação e que estão disponíveis para exibição, havendo portanto outros materiais que garantem a preservação da obra.

Arquivo de vídeo e digital

Reúne materiais em suporte magnético e ótico de diversos formatos e mídias, como U-Matic, Betacam, DAT, discos óticos, DVCam, HDCam, DLT, LTO, HD externo, entre outros. O acervo é composto por materiais nativos em vídeo; nato-digital; e materiais produzidos originalmente em película e que foram transcritos para fins de preservação e acesso.

Laboratório de Imagem e Som

O processamento dos materiais no acervo da Cinemateca Brasileira, historicamente, se dava em laboratórios comerciais capacitados para confecção de novas cópias e materiais de preservação. Já no final dos anos 1970, considerando a especificidade de alguns materiais, cuja duplicação não poderia ser realizada nos laboratórios existentes, a equipe da Cinemateca Brasileira inicia então o processamento de materiais em suas próprias instalações.

Considerando as mudanças tecnológicas absorvidas pela produção e exibição cinematográfica nas últimas décadas, os materiais mais antigos acabaram por se tornar de difícil processamento ou, por vezes, inviáveis para os laboratórios comerciais. A iniciativa de manter um laboratório capaz de manipular a maior sorte de materiais do acervo da instituição segue até hoje.

O advento da produção digital e a digitalização do parque exibidor continua forçando o encerramento das atividades de laboratórios comerciais em todo o mundo, tornando mais desafiador, e necessário, o funcionamento de laboratórios no âmbito de instituições de preservação – em relação à manutenção de equipamentos, aquisição de insumos laboratoriais, e manutenção do saber técnico.

O Laboratório de Imagem e Som da Cinemateca Brasileira é hoje um dos mais completos laboratórios de processamento audiovisual da América Latina, com a possibilidade de execução dos seguintes fluxos de processamento:
- de película para película 35mm e 16mm (suporte preto e branco de todos os materiais e confecção de cópias de materiais em suporte cor);
- de película 8mm, 16mm, 35mm para digital – HD, 2K, 4K, 6K;
- de digital para película 35mm;
- migração de diversos formatos em vídeo (U-Matic, Betacam SP, Betacam digital, DVCam, entre outros) para arquivo digital;
- manipulação digital de imagem e som, incluindo restauração, correção de cor, etc.

Atualmente o laboratório atende apenas às demandas internas de ação emergencial para a manutenção do acervo audiovisual da Cinemateca Brasileira. Dentre as atividades correntes, destacam-se:

Duplicação emergencial em película

Confecção de novas matrizes de materiais em estado avançado de deterioração, de suporte de nitrato de celulose e acetato de celulose, através da duplicação fotoquímica.

Escaneamento emergencial

Na impossibilidade de duplicação fotoquímica, materiais em película são escaneados para geração de uma matriz digital de alta definição.

Duplicação emergencial em vídeo

Plano de migração de suportes obsoletos de fitas magnéticas (como 2”, 1”, U-Matic) para mídia digital, garantindo a preservação do conteúdo audiovisual.

Migração digital

Elaboração de um plano de migração de suportes e formatos de arquivos digitais e desenvolvimento de fluxo de copiagem, visando uma durabilidade maior de materiais nato-digitais.